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Krill transforma dez anos de distância em novo capítulo com Secret Language

Banda que encerrou as atividades em 2015 retorna com formação renovada, lança “Dominate” e prepara álbum que revisita memória, infância e a passagem do tempo

Dez anos depois de encerrar sua trajetória original, o Krill está novamente em atividade. A banda de indie Rock formada em Boston anunciou Secret Language, primeiro álbum completo do grupo em uma década, com lançamento marcado para 13 de novembro de 2026 pela Exploding in Sound Records. O anúncio veio acompanhado de “Dominate”, segundo single dessa nova fase, depois de “Commemorative Plaque”, apresentado em julho.

Mais do que uma volta ao passado, porém, o novo trabalho nasce de uma mudança. O Krill que retorna não é exatamente o mesmo trio que deixou os palcos em 2015. Jonah Furman e Ian Becker retomam seus lugares, enquanto Andrew Clinkman assume as guitarras. Os três estão atualmente ligados a Chicago, cidade onde cresceram, depois de a formação original ter construído sua história em Boston.

Uma banda que terminou, mas não desapareceu

O Krill surgiu em Boston em 2010 e lançou três álbuns durante sua primeira passagem: Alam No Hris, de 2012, Lucky Leaves, de 2013, e A Distant Fist Unclenching, de 2015. Naquele mesmo ano, a banda encerrou oficialmente suas atividades.

O fim, entretanto, não significou o desaparecimento das conexões entre os músicos. Em 2020, Furman, Becker e Aaron Ratoff voltaram a trabalhar juntos ao lado de Joe DeManuelle-Hall no projeto Knot, que lançou um álbum pela própria Exploding in Sound. Agora, o próprio Krill incorporou esse capítulo à sua história e trata aquele trabalho retrospectivamente como parte de sua discografia.

A nova reunião aconteceu de maneira pouco planejada. Segundo Furman, o convite de Theo da banda Ovlov para que o Krill abrisse um show em Chicago acabou funcionando como o ponto de partida. A partir dali, Furman começou a escrever novas músicas e retomou o contato musical com Ian Becker. Andrew Clinkman, que já fazia parte do círculo dos músicos desde os anos de Boston e da juventude em Chicagoland, completou a nova formação.

É uma circunstância curiosa para uma banda cujo novo álbum trata justamente de memória, retorno e pertencimento. Veja abaixo vídeo oficial Dominate:

“Dominate” olha para a infância através da televisão

O primeiro contato mais direto com Secret Language acontece por meio de “Dominate”, faixa que dá ao novo período do Krill uma dimensão diferente daquela de uma simples celebração do passado.

Jonah Furman descreveu a música como uma reflexão sobre crescer nos Estados Unidos durante os anos 1990 e 2000, em uma cultura marcada pela ideia de vencer, pela competição e pela exposição constante a imagens de poder. A composição aproxima referências aparentemente distantes, como guerra, basquete, televisão e infância.

A escolha desses elementos não parece acidental. O esporte transforma a vitória em espetáculo; a televisão transforma conflitos e disputas em imagens; a infância absorve esses códigos antes mesmo que eles sejam compreendidos. Em “Dominate”, essas lembranças são revisitadas por alguém que já atravessou a fase da vida em que elas foram formadas.

O resultado é uma música que olha para a cultura da competição não apenas como fenômeno social, mas como algo aprendido desde cedo.

O próprio título concentra essa ideia. “Dominate” significa dominar, e a palavra funciona tanto no universo esportivo quanto na lógica de poder que a música questiona.

O novo Krill encontrou outra cidade

Existe ainda uma mudança geográfica importante nessa história.

O Krill nasceu em Boston e esteve associado à cena independente daquela cidade durante sua primeira fase. A formação atual, entretanto, está baseada em Chicago. Para Secret Language, a banda passou a dialogar com a comunidade musical local da mesma maneira que, no passado, havia absorvido influências de contemporâneos de Boston, como Pile e Speedy Ortiz.

Essa mudança ajuda a explicar por que o novo disco não está sendo tratado simplesmente como uma tentativa de reproduzir o som da banda de dez anos atrás.

A cidade mudou. Os integrantes mudaram. A vida mudou.

E o próprio Krill parece interessado em registrar essas transformações em vez de escondê-las.

Um álbum construído ao redor de novas conexões

Secret Language terá nove faixas e foi produzido, gravado e mixado por Seth Engel. A formação principal reúne Jonah Furman nos vocais, guitarra, baixo, piano e vibrafone, Ian Becker na bateria e percussão e Andrew Clinkman na guitarra.

O álbum também amplia o universo sonoro do trio com participações de Macie Stewart no violino, Maria Jacobson nos vocais de apoio e Will Greene no saxofone. Amar Lal ficou responsável pela masterização.

A presença desses instrumentos chama atenção porque eles não aparecem apenas como créditos periféricos. Stewart participa de quatro faixas, Jacobson de três e Greene de quatro, incluindo “Dominate”. O novo Krill, portanto, não está apenas reconstruindo uma antiga formação: está incorporando novas possibilidades à linguagem do grupo.

O repertório será formado por:

  • “Porch”
  • “Dominate”
  • “Commemorative Plaque”
  • “Driving”
  • “Snails”
  • “Hawaii”
  • “Karst Fenster”
  • “Secret Language”
  • “Theme From Krill 2”

Duas dessas músicas já estão disponíveis. “Commemorative Plaque” marcou o primeiro lançamento inédito do Krill em dez anos, enquanto “Dominate” amplia a apresentação dessa nova fase.

Dez anos depois, a pergunta deixou de ser apenas “por que voltar?”

Quando uma banda retorna depois de uma década, a primeira pergunta costuma ser sobre o motivo da reunião. No caso do Krill, a história sugere algo mais interessante.

O grupo não simplesmente recuperou uma agenda interrompida. A volta começou com um convite para tocar, passou pela retomada da composição e encontrou uma nova formação em uma cidade diferente daquela que marcou sua primeira existência. O resultado é um disco que parece interessado justamente no intervalo entre essas duas versões da banda.

Secret Language chega em 13 de novembro pela Exploding in Sound Records. O álbum já está disponível para pré-venda em formato digital e vinil, com os dois singles liberados antecipadamente.

O Krill não está tentando apagar os dez anos que ficaram para trás. Ao contrário, tudo indica que esse período é parte essencial do que a banda tem agora para dizer.

E talvez seja justamente aí que esteja o interesse de um retorno como este: algumas bandas voltam para repetir uma história. Outras precisam primeiro viver uma nova história para descobrir o que fazer com a antiga.

Canais oficiais e lançamento

Instagram: krill.band.experience

Krill: Bandcamp oficial

Exploding in Sound Records: site oficial

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Emilio Aquino

ESCRITO POR: Emilio Aquino

Redator especialista do portal EHB Rock, cobrindo o universo do Rock and Roll, Heavy Metal e lançamentos.

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