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Volucrine transforma crise pessoal em “Chapter V: Renewal”

Quinto álbum da banda finlandesa chega pela Inverse Records com 13 faixas e transforma um período de crise em uma narrativa sobre reconstrução e recomeço

A história por trás de Chapter V: Renewal, quinto álbum do Volucrine, começa em um período de ruptura. O novo trabalho da banda finlandesa de metal moderno chega nesta sexta-feira, 25 de setembro, pela Inverse Records, reunindo 13 faixas que percorrem diferentes atmosferas dentro da identidade musical do grupo.

Para Jupe Velin, vocalista, compositor e principal responsável pelas letras, a origem do álbum está diretamente ligada a 2024, um ano marcado por uma crise pessoal e uma série de contratempos. Foi nesse cenário que a composição se tornou uma forma de reconstrução.

Segundo Velin, a pergunta que passou a orientar o processo criativo foi como construir uma nova vida a partir do nada. A resposta acabou se transformando em um álbum no qual cada música representa uma etapa desse processo.

“Chapter V: Renewal” nasceu, portanto, menos de uma fórmula musical previamente estabelecida e mais de uma necessidade de transformar experiências pessoais em música.

Um álbum construído sem uma caixa de gênero

Uma das decisões mais importantes durante a produção foi não submeter as novas músicas à obrigação de seguir um único gênero.

O Volucrine já trabalha há anos na interseção entre diferentes vertentes do metal. A banda desenvolveu uma sonoridade que combina elementos de metal alternativo, progressivo e melódico, mantendo contrastes entre passagens pesadas, melodias e vocais de diferentes intensidades.

No novo álbum, essa liberdade ganhou ainda mais espaço.

Velin afirma que as músicas foram deixadas para encontrar naturalmente sua própria direção. Por isso, Chapter V: Renewal foi descrito pelo próprio músico como o trabalho mais puro e honesto do Volucrine, justamente por não ter sido criado sob a pressão de se encaixar em uma determinada categoria.

A proposta também ajuda a explicar a afirmação de que o álbum consegue ocupar extremos diferentes dentro da própria discografia: ao mesmo tempo em que é considerado o trabalho mais pesado da banda, também é descrito por Velin como o mais leve.

Produção mais próxima do processo criativo

Joni Kyynäräinen, baixista do Volucrine, novamente assumiu uma função central na produção, repetindo o trabalho realizado no álbum anterior, ETNA, lançado em 2024.

Kyynäräinen gravou bateria, baixo e parte das guitarras, além de cuidar da mixagem. Velin, por sua vez, levou parte importante da produção para seu próprio estúdio doméstico, onde gravou os vocais e as guitarras rítmicas.

O processo permitiu que o vocalista trabalhasse com mais tempo sobre camadas, harmonias e backing vocals. O resultado buscado foi uma sonoridade mais ampla e detalhada nos arranjos.

A produção também abriu espaço para participações externas.

Otto Närhi, dos grupos Nestruction e Psychework, registrou as partes de piano de “Moving Mountains” e “The Sum of Changes”. Já Sanni Teitto, do KuuDelta, participa de “Drift” em um dueto com Velin.

De projeto pessoal a uma identidade própria

A relação entre experiência pessoal e música não é novidade na trajetória do Volucrine.

A banda finlandesa lançou seu primeiro álbum em 2011 e, ao longo da carreira, construiu uma identidade marcada por letras de caráter pessoal e pela disposição de explorar os limites de sua própria sonoridade. Após quatro álbuns, dois EPs e uma série de apresentações ao vivo, o grupo chega agora ao quinto trabalho de estúdio.

O material promocional do álbum também apresenta Chapter V: Renewal como um trabalho relacionado ao conceito de renascimento e ao encerramento de um ciclo.

Essa ideia aparece não apenas no título, mas na própria forma como Velin descreve o processo de composição. O álbum nasceu de um período de instabilidade e foi construído como uma tentativa de reorganizar aquilo que havia sido quebrado.

É uma abordagem que coloca as letras no centro da identidade do Volucrine, sem fazer com que a música fique limitada a uma única atmosfera.

“Chapter V: Renewal” faixa a faixa

O álbum apresenta 13 músicas:

  1. Borderline
  2. Rendered Obsolete
  3. Moving Mountains
  4. Volucrine
  5. Golem
  6. Heavy
  7. Another Mile
  8. Swans
  9. Drift
  10. The Future That Never Was
  11. Renewal
  12. Talk
  13. The Sum of Changes

A composição e as letras são assinadas por Jupe Velin, que também criou a capa do álbum. A formação atual reúne Velin nos vocais, Joni Kyynäräinen no baixo, Jani Aalto na bateria e Marko Orava e Erik Lindroos nas guitarras.

Entre as faixas do novo trabalho estão músicas que já haviam sido apresentadas previamente, como “Borderline”, “Golem” e “Talk”. “Borderline”, lançada como single antes do álbum, foi apresentada pela banda como o último avanço de Chapter V: Renewal.

O disco completo, agora disponível, permite compreender essas faixas dentro de uma obra maior, construída em torno da ideia de mudança e reconstrução.

Um novo capítulo para o Volucrine

O próprio título deixa clara a intenção do trabalho: Renewal, renovação.

Mas, no caso do Volucrine, a palavra não aparece apenas como conceito abstrato. Ela está ligada diretamente ao processo que deu origem ao álbum. A crise pessoal enfrentada por Jupe Velin em 2024 acabou conduzindo o músico novamente à composição, e desse processo surgiu um trabalho que procura transformar diferentes experiências em uma narrativa musical.

Depois de mais de uma década de trajetória e cinco álbuns, o Volucrine chega a um ponto em que sua identidade parece estar justamente na liberdade de não permanecer preso a uma única definição de metal.

Chapter V: Renewal é, nesse sentido, um registro de mudança. Não apenas de sonoridade, mas de um processo pessoal que encontrou na música uma maneira de seguir adiante.

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Emilio Aquino

ESCRITO POR: Emilio Aquino

Redator especialista do portal EHB Rock, cobrindo o universo do Rock and Roll, Heavy Metal e lançamentos.

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